HIStory Michael Jackson Fã Clube Portugal

O maior fórum sobre MICHAEL JACKSON em PortugalLove Lives Forever.
 
InícioGaleriaFAQBuscarMembrosGruposRegistrar-seConectar-se
NOVO LAYOUT BREVEMENTE! FIQUEM ATENTOS!

Compartilhe | 
 

 Jeff Koons: "Michael Jackson foi a minha pietá"

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo 
AutorMensagem
Carol Jackson
Staff - Moderação
Staff - Moderação
avatar

Sexo : Feminino Mensagens : 731
Localização : Minas Gerais
Era : Todas
Idade : 32
Membro desde : 18/04/2011

MensagemAssunto: Jeff Koons: "Michael Jackson foi a minha pietá"   Sab 01 Out 2011, 22:36

Fonte: Revista Veja

Artista plástico americano situa astro morto em 2009, que ele transformou em escultura, como 'figura espiritual' de uma sociedade de culto às celebridades



Poucas vezes o trânsito de São Paulo chega a representar uma vantagem como quando se precisa entrevistar um dos maiores artistas plásticos da atualidade a bordo de um táxi, no trajeto entre os Jardins e o aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. Esse é o momento em que se torce para haver um congestionamento na Marginal Pinheiros ou para a Marginal Tietê travar. O artista, no caso, era o americano Jeff Koons, que deixava o país após uma rápida visita para a abertura, no último dia 27, da exposição coletiva Em Nome dos Artistas, em comemoração dos 60 anos da Bienal.

No táxi a caminho do aeroporto, Koons não aparenta, mas é uma celebridade. Aos 56 anos, é um ícone da arte contemporânea e ostenta uma das maiores receitas da área. Uma de suas obras, parte da série Celebration, foi vendida a 23 milhões de dólares em 2007, dando a ele, naquele momento, o recorde de faturamento de um artista vivo. No contato pessoal, no entanto, o americano não transparece a afetação de quem já expôs em Versalhes nem a excentricidade de quem já foi casado com a italiana Cicciolina.

O encontro no hotel foi marcado bem na hora do rush, às 17 horas. No lobby, enquanto fechava a conta, Koons, que vestia camiseta, calças esportivas e tênis, dava vazão ao hábito que iria se repetir várias vezes durante a entrevista: checar e-mails na tela de seu inseparável iPhone. Com uma mala pequena, que passaria por uma bagagem de mão, ele se atrapalhava em equilibrar sobre a valise o terno protegido por uma capa com o logotipo de uma famosa marca de roupa.

Koons passou dois dias no país pela mostra Em Nome dos Artistas, em cartaz até dezembro no pavilhão do Ibirapuera. Na exposição, que reúne nomes consagrados da arte contemporânea americana, comparece com fotos da série Made in Heaven, em que posa para fotos eróticas junto com a ex-atriz pornô italiana Cicciolina, e com peças que representam sua marca registrada: esculturas de animais e motivos infantis em forma de infláveis gigantes.

É justamente a sua proposta de alçar objetos, materiais e imagens do cotidiano ao status de obra de arte que gera discussões acaloradas sobre seu trabalho. O ápice do debate se deu em 2008, quando o artista expôs esculturas da série Celebration, que poderiam ter saído de um bufê de festa infantil, ou de um show da cantora pop Katy Perry, no pomposo Palácio de Versalhes, na França. Koons foi o primeiro artista contemporâneo a expor no local. Apesar de controverso, o artista nega que aja por motivações midiáticas. Ele diz que usa a arte para quebrar preconceitos. E sonha alto: "Gosto muito de Pablo Picasso e Marcel Duchamp. A fusão desses dois artistas é o tipo de arte que eu procuro fazer."

Vale reiterar, sonha alto, mas sem afetação. Há uma serenidade e paciência em cada gesto de Koons. Seu tom de voz baixo e calmo nunca se altera. A mesma linearidade acompanha o raciocínio diante de cada resposta, seja para falar sobre as duras críticas que sempre acompanharam a sua carreira ou para contar sobre a filha que teve aos 20 anos e foi enviada para a adoção. Koons não titubeia ao falar, nem formula uma frase que precise de explicação posterior. Suas ideias fluem naturalmente. Ele faz questão de se mostrar humilde e conectado com os altos valores da humanidade e das artes. Repete várias vezes a palavra “comunidade”, enquanto fala, e se mostra um fã inveterado de Led Zeppelin.

Quase nada em Koons denuncia seu poder comercial. Em 2008, depois de se tornar o maior best-seller vivo das artes com a venda de Hanging Heart, posto depois tomado pelo britânico Lucian Freud, ele emplacou outra venda estrondosa. Embora não tenha recuperado o topo do ranking de vendas – naquele ano, Freud recebeu 32,6 milhões de dólares pela tela Benefits Supervisor Sleeping –, amealhou mais 26 milhões de dólares por outra escultura da série Celebration, a versão rosa da Balloon Flower. Naquele mês, junho de 2008, somada às vendas feitas em leilões, sua receita chegou a 117,2 milhões de dólares.

Pai de sete filhos – um deles, Ludwig, fruto do casamento com Cicciolina, tem 18 anos e mora com a mãe na Itália –, Koons compara sua relação com a arte com a função de educar a cria. “Assim como o ato de criá-los é natural para mim como pai, influenciar a vida de outro indivíduo também é natural para mim como artista. Esse é meu maior interesse em arte.”

Uma postura acuada, porém, de braços cruzados e ombros para a frente, moldou o corpo do artista enquanto ele ouvia perguntas sobre as acusações de ser um capitalista das artes. Num momento, chegou a interromper a entrevista, sob o pretexto de pedir que se reduzisse o ar-condicionado do carro. "Estou com frio."

Na única vez em que conseguiu olhar a cidade pela janela do táxi, Koons comentou a ausência de outdoors em São Paulo. Outdoors marcaram a vida de Koons. Em 1993, ele foi convidado pelo Whitney Museum of American Art, de Nova York, para fazer um trabalho inspirado pela publicidade para a exposição Image World. Koons projetou um outdoor. Esse trabalho foi o embrião da série Made in Heaven, em que aparece em fotos pornográficas com a ex-mulher Cicciolina, atualmente candidata à prefeitura de Monza, na Itália. Koons e Cicciolina foram casados por um ano.

Quando finalmente chegou ao aeroporto, após uma hora e quinze minutos de trânsito, Koons encerrou a entrevista se desculpando e dizendo que estava cansado de pensar. Na verdade, ele mesmo era interessado em outra coisa, algo que não diz respeito nenhum ao seu posto de ícone da arte contemporânea. "Onde posso encontrar camisas da seleção brasileira?." No balcão de informações do aeroporto, onde pediu indicações de lojas, se despediu e perguntou: “Aqui encontro as camisas oficiais, certo? Meus filhos estão esperando esse presente e eu não quero decepcioná-los.”

Confira abaixo a entrevista concedida por Koons dentro de um táxi ao site de VEJA.

Como a cultura de massas está inserida no seu trabalho? Eu uso objetos do cotidiano em minhas obras porque quero destruir a crença de que determinadas coisas não merecem ser expostas. Faço isso para eliminar o preconceito da minha vida e também para comunicar ao público que tudo à sua volta é perfeito.

Você se vê como uma celebridade das artes? Tenho consciência do lugar que eu ocupo no mundo das artes, mas não estou interessado em ser uma celebridade. Tenho sete filhos. Assim como educá-los é algo natural para mim como pai, influenciar a vida de alguém é normal para mim como artista.

De que forma chegou a essa conclusão? Eu penso sobre isso sempre. O que sei é que a minha relação com a arte muda o tempo todo. No fim das contas, tudo tem a ver com autoconfiança.

A arte é algo metafísico? Sim. Tem a ver com externar autoconfiança e se manter aberto para experimentar o que está ao redor. Essa abertura nos coloca em contato com o nosso potencial.

Qual é, atualmente, sua relação com a arte, já que ela muda o tempo todo em sua vida? Artistas que eu admiro muito e, a meu ver, conseguiram expressar algo muito profundo, foram Pablo Picasso e Marcel Duchamp. Unir o trabalho deles é o tipo de arte que eu busco.

Se arte é algo metafísico, como não transformá-la em produto diante dos altos preços praticados nos leilões de arte contemporânea? Se você quer realmente se conectar com o público, a originalidade é o meio mais rápido e eficaz para isso. A questão da distribuição é algo em que muitos artistas se apoiam hoje, o que acaba influenciando negativamente a arte. Eu não reproduzo minhas obras e não tenho uma fábrica de esculturas.



O fato de você não se ater à distribuição do trabalho torna ações de marketing cruciais ao funcionamento do seu estúdio? Quando eu era mais jovem, gostava de ler livros de Nicolau Maquiavel, o que me deu a consciência de não cair na tentação de me destruir publicamente. Salvador Dalí foi um grande artista, mas desperdiçou muita energia num determinado período de sua carreira quando se envolveu com a distribuição de sua obra e se dedicou a fazer cópias e cópias de um mesmo trabalho.

É a sua aversão à reprodução que faz com que suas obras atinjam grandes preços em leilões? Num certo grau, sim, mas prefiro acreditar que a pessoa tenha gostado realmente da obra para pagar um preço tão alto por ela. Prefiro acreditar que a pessoa tenha visto na obra algo útil para a sociedade e que, por isso, merece ser preservada. Nos tempos atuais, cria-se um valor agregado exagerado para certas coisas. Hoje, admiramos apenas cópias de obras criadas há séculos.

Como você reage aos críticos que o consideram mais um comerciante das artes do que um artista propriamente dito? Quando eu era jovem, trabalhei como corretor da Bolsa de Valores em Wall Street. Por causa disso, as pessoas acham que a única motivação na minha vida é ganhar dinheiro, o que não é verdade. O discurso é mais importante do que a crítica.

De que maneira a instabilidade econômica mundial afeta o mercado de arte contemporânea? A instabilidade não é ruim para o mercado de arte. Depois da crise de 2008, o mercado ficou fortalecido. As pessoas veem na arte uma fonte segura de investimento quando as coisas parecem confusas.

De uma forma geral, você acredita que a arte hoje é influenciada atualmente pelo culto à celebridade? Sim, tudo é influenciado pelo culto à celebridade hoje. No meu caso, eu primeiro busco meus sentimentos e depois quero dividi-los com os outros. No fim das contas, procuramos a nós mesmos através dessas performances artísticas e elas nos ajudam a entrar em contato com os nossos talentos.

Sobre a escultura de Michael Jackson: ele posou para você? Não, me foram enviadas muitas fotos de seu acervo pessoal e, algum tempo depois, recebi uma ligação de seu escritório dizendo que ele queria ver como estava o trabalho -- ele não sabia que a escultura estava sendo produzida na Europa. Nesse mesmo dia, ele cancelou a visita devido a uma dor de garganta. Eu tentei encontrá-lo outras três vezes, depois desisti.

Por que escolheu Michael Jackson para retratar numa escultura? Em 1988, quando finalizei a escultura, Michael Jackson estava no auge da carreira. Quis fazer referência a algo como a Pietá de Michelangelo. A escultura de Michael Jackson, inclusive, tem o mesmo formato triangular da Pietá.

Você quis dizer, então, que Michael Jackson é visto como um deus em nossa sociedade? Como uma figura espiritual. Eu queria retratar algo que fizesse as pessoas se sentirem seguras consigo mesmas, que as ajudasse a superar seus medos. A escultura de Michael Jackson representa a cultura de adulação dos ídolos pop em nossa sociedade.

Uma das suas obras expostas na Bienal é a série Made in Heaven. Que tipo de reação você queria despertar no público quando a concebeu? Quando criei Made in Haven, estava muito conectado a essa filosofia de completa aceitação de mim mesmo e do meu entorno. Conheci a minha ex-mulher (a ex-atriz pornô Cicciolina, com quem Koons posou em fotos eróticas para a série Made in Heaven) quando fui convidado pelo Whitney Museum of American Art a participar de uma exposição chamada Image World, sobre o mundo midiático. Neste momento, estava conectado com a intenção de remover sentimentos de culpa e vergonha da vida das pessoas. Desculpe se eu não me prolongar nesse assunto, é doloroso.

Pode explicar o motivo? Eu e minha ex-mulher tivemos um filho. Após a separação, ela o levou para a Itália e eu nunca pude criá-lo. Ele está com 18 anos e espero que compreenda tudo o que aconteceu. Minha série Celebration foi uma tentativa de me comunicar com Ludwig à distância e de lhe dizer que nunca o esqueci.

É verdade que você teve um filho enquanto estava no colégio e o deu para adoção? Quando estava no colégio, minha namorada engravidou. Tínhamos 20 anos na época e, quando Shannon nasceu, ela foi levada para adoção. Isso tudo foi muito difícil para mim. O maravilhoso é que a família adotiva de Shannon a criou muito perto de onde eu vivi. Quando ela cresceu, me encontrou. Shannon apareceu na minha vida na mesma época em que tive essa grande perda de Ludwig. Mas prefiro não me prolongar nesse assunto.

Você concorda em ser visto como um dos ícones do pós-modernismo? Eu sempre quis participar da tradição vanguardista das artes, mas nunca fiz parte de qualquer diálogo construído em torno da manifestação de uma plataforma pós-modernista.

O que seu trabalho traz para a sua vida atualmente? É a expressão de alguém que luta contra as suas limitações.

E o que faz para superar essas limitações? Basicamente, conquistar autoconfiança. Eu trabalho com infláveis, porque é um material que permite expandir os parâmetros. Acredito que qualquer coisa pode ser ampliada, inclusive a relação de cada um consigo mesmo.

Em que está trabalhando neste momento? Estou criando uma série chamada Antiquity, formada por telas e esculturas. Na série Celebration, que comecei em 1994, fiz uma obra chamada Diamonds, que representa o momento da concepção. Isso descreve a única narrativa verdadeira da história humana, que é a biológica. Então, a série Antiquity é um desdobramento disso. A série começa no tempo atual e se volta ao passado para dialogar com artistas como Dalí, Manet e Bernini.

_________________


Michael, você estará eternamente em meu coração!!!

Meu ETERNO REI DO POP...TE AMOOOO!!!
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://odiariodeumafamj.blogspot.com/
Convidado
Convidado
avatar


MensagemAssunto: Re: Jeff Koons: "Michael Jackson foi a minha pietá"   Sab 01 Out 2011, 22:51

Michael é uma inspiração.
Voltar ao Topo Ir em baixo
 
Jeff Koons: "Michael Jackson foi a minha pietá"
Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo 
Página 1 de 1
 Tópicos similares
-
» Michael Jackson: A verdade chocante sobre os Arquivos do FBI
» Jason Pfeiffer volta a dizer que teve caso com Michael Jackson
» Mãe de Michael Jackson: «O meu filho não era molestador»
» Lindsay Lohan cumprirá pena como faxineira de necrotério onde ficou Michael Jackson
» O que todos devem saber antes de abrir a boca para falar mal de Michael Jackson!!!

Permissão deste fórum:Você não pode responder aos tópicos neste fórum
HIStory Michael Jackson Fã Clube Portugal :: Discussões Gerais :: Notícias-
Ir para: